Novembro de 2008


E no Brasil? O Sudão oculta-se em terras brasileiras, castigadas pela miséria, pela fome, pela doença, pelo descaso. Nosso silêncio perante as injustiças sociais também mata. São poucos aqueles que defendem o direito de vida dos excluídos e marginalizados socialmente. Trabalhamos e estudamos numa escola em pastoral e é nosso dever refletir sobre as mazelas do mundo e, principalmente, de nosso país. Nós podemos fazer a diferença para a vida daqueles que são vítimas de uma extrema e cruel desigualdade social. Que no dia 20 de novembro, ao relembrarmos a trajetória de Zumbi de Palmares e o Dia da Consciência Negra, nossos olhos possam ser capazes de captar o que está à nossa volta e mobilizar-nos para a solidariedade. Lembrando Madre Cândida: “Ao fim do mundo iria eu, em busca de almas”, pelos cantos de nossa cidade e de nosso país, que também possamos resgatar inúmeras almas que sofrem, caladas, no abandono de seus lares, à espera de alguém que lhes estenda a mão. Não podemos deixar que mais um Sudão sobreviva diante de nossos olhos e coração – este é um convite para que cada um assuma, de fato, seu espírito cristão solidário. Como fazer? Informe-se, pesquise, visite bairros, mobilize-se numa proposta de protagonismo juvenil, convidando colegas; faça campanhas, arrecade alimentos, roupas, brinquedos. Os pequenos gestos ajudam a tornar o mundo melhor. Deixe sua mensagem …

Professores da Área de Ciências Humanas

“Quando o silêncio mata, a tua voz pode salvar”
Marco Antônio Moreno Siqueiros, missionário mexicano

“Responda rápido: qual é a maior guerra da atualidade? Se você respondeu Iraque, errou.Mas não se culpe pelo erro. Ele não acontece por acaso. Distante dos holofotes da mídia e negligenciado pelas grandes potências econômicas, o principal conflito humanitário do nosso tempo ocorre no esquecido Sudão, o maior país da África”.

Neste mês em comemoramos, no dia 20, o dia da Consciência Negra, a área de Ciências Humanas, através de sua professora de História, Maria do Carmo C. Moraes, relembra os conflitos no Sudão. As fotos que acompanham este texto foram tiradas por um sobrinho da Maria do Carmo, que se encontra naquele país, fazendo parte de uma missão de paz da ON U (Organização das Nações Unidas). O texto é de Letícia Duarte, jornalista de Porto Alegre/RS, retirado do jornal Mundo Jovem, março/2008.

“No Iraque, calcula-se que 150 mil civis tenham sido mortos desde a invasão dos Estados Unidos, em março de 2003. Enquanto isso, na região sudanesa de Darfur, a estimativa é de que pelo menos 400 mil pessoas já tenham morrido devido à violência, à fome e às doenças decorrentes da falta de infra-estrutura básica desde fevereiro do mesmo ano. E o número de mortes não é o único que impressiona. Organizações humanitárias estimam que mais de dois milhões de pessoas tenham sido tiradas de seus lares em conseqüência da guerra e que mais de 200 mil vivam hoje em campos de refugiados.
As origens do conflito armado são complexas e antigas, mas, basicamente, pode-se dizer que a guerra em andamento opõe principalmente as milícias conhecidas como janjawed, formada por integrantes de tribos nômades africanas e de língua árabe e de religião muçulmana, e povos não-árabes que ocupam a região de Darfur. Embora negue publicamente, o governo sudanês fornece armas e assistência, e participa de ataques conjuntos com aquele grupo miliciano, o que aumentaria a gravidade do que é considerado por analistas internacionais como um verdadeiro genocídio.
Seria possível discorrer muitas páginas sobre as minúcias e as raízes do conflito, que remontam a questões históricas, mas antes disso vale a pena pensar nos motivos disso ser ignorado. Por que, diariamente, mulheres são estupradas, crianças escravizadas, homens assassinados, e nós sequer sabemos que isso acontece? Por que uma guerra de tamanhas proporções é retratada com notas esparças em jornais? Seria uma questão de distância geográfica? Não, certamente, pois o Iraque também não é exatamente um país próximo. Seria por falta de interesse econômico? Pelo contrário, já que a região é rica em petróleo. Uma das hipóteses levantadas pelos analistas internacionais é justamente o interesse econômico no país é que faz com que grandes potências, como a China, cujas empresas exploram o petróleo no Sudão, evitem posicionar-se ativamente diante do genocídio. Ou seja: depois da matança generalizada da população local, ficaria mais fácil explorar as reservas petrolíferas, sob o pretexto de ajudar na reconstrução do país”.